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O esplendor do Palácio Nacional de Mafra

Foi uma promessa realizada por um rei, que nos deixou uma obra monumental a pontuar, brilhante, na paisagem portuguesa


O Palácio Nacional de Mafra é uma obra grandiosa, visível de muito longe na paisagem. É, sem dúvida, um dos monumentos mais imponentes de Portugal, uma obra-prima do barroco com as suas 666 divisões.

O edifício nasceu como cumprimento de uma promessa do rei D. João V, que seria realizada se a sua rainha, D. Maria Ana de Áustria, lhe desse descendência. Com o nascimento de D. Maria Bárbara foi determinada a sua construção. 


E foi assim que, em 1711, o monarca decretou que se erguesse, na vila de Mafra, um convento a Nossa Senhora e a Santo António destinado à ordem dos frades Arrábidos. Sob a batuta do arquitecto João Frederico Ludovice, o edifício começou a ser erguido em 1717. 


A obra teve inúmeras alterações durante a sua construção. De tal forma que, 13 anos depois, em vez do convento previsto, para pouco mais de uma dúzia de frades, erguia-se no local um palácio mosteiro gigantesco. Teve tanta gente a trabalhar nele e envolveu tantos os recursos, que teria sido difícil encontrar, em mais algum lado do reino, um carpinteiro ou mesmo um balde de cal. 


O edifício mistura características nacionais, alemãs e do barroco italiano. Ocupa uma área equivalente a quatro campos de futebol e apresenta uma fachada de 200 metros de comprimento. É envolvido parcialmente pela Tapada Real, espaço natural que alberga várias espécies de mamíferos, como gamos, veados e javalis e raposas, e pelo Jardim do Cerco.


O Palácio Real, visitado com frequência pelos monarcas para temporadas de caça, compreendia toda a fachada principal do monumento, à excepção da Basílica. Abrangia os dois torreões e ainda, ao nível do 3º piso, as frentes norte e sul e parte da nascente.


O 3º piso funcionava como andar nobre, ficando os aposentos reais, propriamente ditos, nos dois torreões. O do norte era tradicionalmente destinado aos reis e o do sul às rainhas. Esta organização manteve-se até à morte de D. Fernando de Saxe-Coburgo, marido da rainha D. Maria II, quando toda a família real passou a habitar apenas o torreão e a ala sul, ficando o outro reservado aos hóspedes importantes que visitavam Mafra. Os restantes andares do palácio eram ocupados pelo pessoal da Casa Real, bem como pelas cozinhas, mantearias, ucharias, etc.


A comunicação com os aposentos reais


No andar nobre, a comunicação com os aposentos reais fazia-se através da imensa galeria principal, que se estende por toda a maior fachada do edifício. Também se podia usar as galerias das frentes norte e sul, uma sucessão interminável de salas e quartos destinados ao serviço do paço.


O Palácio Real de Mafra atingiu o máximo esplendor nos primeiros anos do século XIX, com D. João V. Os salões estavam ricamente atapetados e cheios de mobiliário valioso e outros tesouros artísticos. Nas paredes podiam-se ver magníficas tapeçarias e quadros. Em algumas, havia frescos dos nossos melhores artistas. Diversas vicissitudes, como a retirada da família real para o Brasil em 1807, quando D. João VI levou muito do que havia de melhor no Paço de Mafra, fizeram desaparecer grande parte desta ostentação. 


O Palácio conserva, no entanto, algumas salas dignas de interesse. São os casos das de Audiências e a da Bênção, das capelas de S. José e de Nossa Senhora do Livramento (oratórias reais), dos aposentos reais dos dois torreões e ainda das salas de Diana, dos Camaristas ou das Descobertas, dos Destinos ou Segunda do Docel, da Caça, da Música. 


De todas elas, sobressaem a Sala de Audiências e a da Bênção. A primeira, também chamada Sala do Trono, destinava-se às recepções de gala. É totalmente revestida a frescos dos princípios do século XIX, executados por Domingos António de Sequeira e Cirilo Wolkmar Machado. Neles vêem-se portas simuladas, as impressionantes figuras de Hércules, cenas bélicas, bem como figuras alegóricas, em tamanho natural, representando as sete virtudes morais. Na abóbada impõe-se, de forma aparatosa, a alegoria à Lusitânia, da autoria de Wolkmar Machado, artista que dirigiu, nos reinados de D. Maria I e D. João VI, a maior parte das pinturas efectuadas no Palácio.


A Sala da Bênção ou Casa de Benedictione, situada a meio da galeria principal, é, na sua austeridade, uma das mais imponentes do Palácio. Mede 26 m de comprimento. Revestida com mármores de vários tons, apresenta uma abóbada cilíndrica e apainelada, mosaicos no pavimento com desenhos admiráveis e paredes ornamentadas com pilastras dóricas e molduragens. Tudo num enquadramento que parece continuar o interior da Basílica. Nesta sala, ficavam as tribunas de onde a família real assistia à missa. 


Todas as salas do palácio estão decoradas com mobiliário dos séculos XVIII e XIX. Em algumas delas ainda se conservam muitas das pinturas setecentistas que pertenceram primitivamente à Basílica. São do francês Pierre Antoine Quillard, dos mestres italianos Trevisani, Massucci, Conca e Gianquinto e dos pintores nacionais Francisco Vieira Lusitano, Inácio de Oliveira Bernardes e André Gonçalves. O Palácio Nacional de Mafra tem também 120 sinos, dos quais dois carrilhões de 49 sinos.


Morcegos protegem a biblioteca


A sua biblioteca é considerada uma das mais belas do país e contém um espólio de cerca de 40 mil livros. Destacam-se nelas os autores clássicos latinos, uma primeira edição dos Lusíadas e manuscritos religiosos em pergaminho. Este é, sem dúvida, um dos locais mais emblemáticos do Palácio de Mafra. Se fizer uma visita, ficará a saber que no seu interior há uns guardiões especiais dos seus livros: os morcegos. Foram os seus monges que criaram a colónia, para zelar pela conservação destes livros. 


À noite voam livremente pela biblioteca, alimentando-se de insectos no interior da sala. E não sujam os livros porque saem para o exterior através de frinchas das janelas. Este é, sem dúvida, um exemplo invulgar de simbiose entre o homem e o animal. Para além deste método, os bibliotecários de Mafra implementaram outros sistemas de eficácia notável para a época. 


Num dos extremos da sala, o que parecem ser janelas são na realidade espelhos destinados a concentrar o calor dos raios solares para reduzir os níveis de humidade e iluminar a sala. Para além disso, as estantes possuem espaços vazios, na parte detrás, para permitir a circulação do ar e impedir a concentração de humidade e o consequente ataque de fungos aos livros. Actualmente, e através de modernos processos de medição dos valores de humidade, é possível constatar que o sistema mantém as condições ideais de conservação de documentos e livros.


Crédito da Fotografia @Joaquim Oliveira

Agradecimento ao PNM/DGPC



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INFORMAÇÕES

Telefone: +351 261817550

Email: geral@pnmafra.dgpc.pt

Website: www.palaciomafra.pt

Morada: Terreiro D. João V, , 2640 -000 Mafra

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